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sábado, 2 de novembro de 2013

A verdadeira estrela

Há momentos na vida que parecem nos tirar da realidade. Quando e enquanto eles acontecem, tudo o que incomoda parece não fazer mais sentido. Assim foi minha quinta-feira, 31 de outubro de 2013. E tudo isso porque Ringo Starr veio a Curitiba e me deu a chance de revê-lo em ação com sua All Starr Band.
Desta vez, o show foi no Teatro Positivo e meu assento ficava bem próximo ao palco. Então, eu podia ver suas expressões faciais, observar com mais cuidado seu jeito de dançar, de fazer piadas, e até de assoar o nariz entre uma virada de bateria e outra. E ele estava incrível, alegre e cheio de vida! Aos 73 anos, Ringo chegou a fazer polichinelos no palco, mostrando que idade não tem nada a ver com energia. Abriu com o clássico de Carl Perkins "Matchbox", seguido por "It Don`t Come Easy" e a recente "Wings", que o levou a brincar com os fãs sentados na primeira fila vestidos com camisetas do disco "Ringo 2012", de onde saiu a música.
Além da visão privilegiada que tive nesta minha nova oportunidade de ir a um show do ex-beatle, ganhei de presente um espetáculo completamente novo, já que a All Starr Band desta turnê é diferente daquela que veio ao Brasil em 2011. O ponto alto do repertório dos novos integrantes foi o momento em que Gregg Rolie cantou "Black Magic Woman". Nunca pensei que veria o tecladista do Santana tocando e cantando essa e outras músicas que se tornaram tão célebres ao longo dos anos - e amei a surpresa!
Mas nada supera Ringo, a verdadeira estrela da noite. Na bateria, ao microfone ou tocando e cantando ao mesmo tempo, Ringo me fazia acreditar que o mundo todo era só aquele teatro. E assim meu coração foi disparando mais e mais, até o momento mais catártico do show: "With a Little Help From My Friends" - e como é bom brindar a presença de Billy Shears! Fácil acreditar que só existe alegria no mundo. Difícil conter as lágrimas...
Depois, "Give Peace a Chance" fechou a noite e deixou aquele gostinho de quero mais. Ringo saiu correndo no fim da música, sem, no entanto, deixar de dar mais um presente para a plateia. Ele jogou sua toalha branca em direção aos fãs e um menino muito sortudo conseguiu levar para casa o troféu. Acabou o show tão esperado e era hora de voltar à realidade, mas muitos não queriam deixar o local - e eu me incluo nesses muitos. Bem que todo dia poderia ser tão bom quanto esta quinta-feira...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

The one and only Ringo Starr!


Nos últimos dias, muito se falou sobre a suposta fraqueza que teria um show do ex-beatle Ringo Starr. Li textos em que disseram que o espetáculo era sem graça, que não empolgava, que não emocionava. Vi gente dizendo que Ringo era um péssimo baterista e que sua All Starr Band reunia um punhado de artistas que não têm nada de realmente bom a oferecer. Quanta bobagem...

Quem esteve no último dia 15 no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, sabe o que sentiu quando as luzes se acenderam e, diante de um cenário psicodélico com flores e uma enorme estrela no meio, surgiu Ringo Starr. Aos 71 anos, rodeado de amigos, Ringo faz o que gosta e encanta a plateia com seu jeito divertido.

É bem verdade que a casa de shows não estava lotada. Com o temporal que aconteceu pouco mais de duas horas antes do início do espetáculo, muita gente se assustou. Aos poucos, as pessoas iam chegando, preenchendo os espaços e trazendo sorrisos calorosos que provavam o quanto era grande a expectativa. Mas era visível que ainda havia ingressos disponíveis.

E daí? Ringo não se fez de rogado. Com sua simpatia costumeira, deu boa noite a todos e a cada setor da plateia, dividida em pista prime, pista comum, cadeiras e camarotes. "Boa noite, pessoal da direita! Boa noite, galera da esquerda!", disse. E, apontando para um camarote na ponta direita, veio a primeira tirada: "Para vocês cinco aí, boa noite também!". A gargalhada foi geral. A partir daí, foi um festival de energia, grandes sucessos e comentários engraçados que vinham um atrás do outro. Aquele era mesmo Ringo Starr!

O repertório começou com "It Don't Come Easy", single pós-Beatles do baterista e cantor, seguido por "Honey Don't", de Carl Perkins, que ganhou uma gravação dos fab four na voz de Ringo. Em seguida, os integrantes da All Starr Band foram se alternando atrás do microfone. Trouxeram para o público hits de suas bandas anteriores e surpreenderam pela qualidade de suas performances. Foi muito bom ver Edgar Winter tocar todos aqueles instrumentos em "Frankenstein"! E o que dizer do solo de guitarra de Gary Wright em "Rock n' Roll Hootchie Koo"? Tão impressionante que deixou a plateia de boca aberta - e Ringo tratou de fazer uma piada: "Tem alguém aí aprendendo a tocar guitarra? Essa é a segunda lição!". Quando Richard Page terminou "Broken Wings", Ringo comentou que aquela tinha sido a melhor apresentação daquela música em toda a turnê, prova de que houve uma conexão realmente emocional entre o público e os músicos. Mas a catarse ainda estava por vir...

Cada vez que Ringo Starr pegava o microfone ou ia para trás de sua bateria – ou fazia as duas coisas ao mesmo tempo -, o público enlouquecia. “Choose Love”, “I Wanna Be Your Man”, “Boys”, “The Other Side Of Liverpool” vieram e arrebataram a plateia. Se em “Yellow Submarine” o chão tremeu, quando, depois de “Photograph” e “Act Naturally”, vieram os primeiros acordes de “With a Little Help From My Friends”, a emoção não podia ser maior. Um coro emocionado acompanhava “the one and only Billy Shears”, com muitas lágrimas nos olhos e cantando a plenos pulmões. Depois de “Give Peace a Chance” - uma homenagem ao amigo John Lennon e uma ótima maneira de reforçar o lema de paz e amor que parece norteá-lo - , Ringo e sua super banda deixam uma plateia mais que feliz. Quem disse que “esse senhor” é fraco, não abriu os olhos para ver que ele é a eterna estrela do Rock n' Roll.